sexta-feira, 13 de setembro de 2013

As letras e a paz




O primeiro desafio que enfrento, quando me coloco à frente do computador para escrever o artigo que me compete, é a escolha do tema. Às vezes a inspiração mergulha no silêncio e nada me ocorre. Outras vezes pululam na mente dezenas de possibilidades. Entre o completo vazio interior e a voz estridente de uma pluralidade de assuntos, há uma situação particularmente delicada. É quando dois temas, apenas dois disputam atenção, como está ocorrendo neste momento.

Devo tratar de Literatura, já que comemoramos justamente hoje o aniversário de fundação da Academia Espírito-Santense de Letras, a mais importante instituição cultural do Estado onde moro?
Ou discorro sobre a Paz tendo em vista o perigo de uma guerra mundial, se os Estados Unidos cometerem a insensatez de invadir a Síria?
Opto por matéria de sabor local (academia de letras plantada no solo capixaba); ou alargo a vista além-fronteiras para cuidar da Síria distante, encravada entre a Jordânia, o Iraque, a Turquia e o Líbano?
Que tal fundir as matérias e falar sobre a relação entre as Letras e a Paz?
A Literatura, em alguns de seus mais gloriosos vôos, exaltou a Paz (Tolstói, Hemingway, por exemplo). Entretanto outras vezes a Literatura, ainda que em obras inexpressivas, pactuou com a Guerra.
Vejo a Literatura a serviço da justiça e da verdade, opondo-se a tudo que nega esses valores. O escritor engrandece seu ofício quando, através da pena, torna-se profeta de um mundo novo, pacífico, solidário e justo.
A academia é um espaço de convivência entre pessoas que vivem na dimensão do ser, pessoas que buscam a construção da fraternidade. Multipliquem-se as academias no território brasileiro e estaremos construindo uma rede de defensores do diálogo, da compreensão, da fraternidade universal.
A ideia de paz acolhida nas mentes e corações resulta de uma busca da inteligência e da vontade. O grande desafio é: disseminar o sentido de paz em todo o organismo social; educar para o florescimento, a manutenção e a defesa da paz; plasmar uma cultura da paz radicada no inconsciente coletivo.
Esse esforço educacional terá, necessariamente, diversos artífices, diversas fronteiras de atuação. Papel fundamental cabe a aqueles que fazem da palavra estrita ou falada seu instrumento de trabalho.
A luta a favor da paz não é fácil. Interesses econômicos monumentais sustentam as guerras. Na maior potência do mundo, alternam-se governos, mudam os atores que tomam lugar no palco, mas a política belicista continua exatamente a mesma.

autor deste artigo João Batista Herkenhoff