b

b

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Sessenta homicídios foram registrados em julho, na Região Metropolitana

SÃO LUÍS – Dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Maranhão mostram que, somente neste mês de julho, 60 pessoas foram assassinadas na Região Metropolitana de São Luís. Em média, dois homicídios são registrados por dia. Comparado ao mês de junho, houve aumento de 3%. Comparado a julho do ano passado, o aumento registrado foi de 36%. Em 2010, 499 homicídios foram registrados. No primeiro semestre deste ano, 419 homicídios já foram registrados.

A SSP não quis comentar, à imprensa, os números. Em entrevista ao Imirante, o juiz José dos Santos Costa, titular da 1ª Vara do Tribunal de Júri da capital, afirmou que a violência urbana é crescente em todo o país. "No país, o Nordeste tem se destacado. Capitais como Natal e Salvador têm índices até mais alarmantes que os nossos. O que está chamando a atenção em São Luís é que, nos últimos 30 anos, nós passamos de uma posição privilegiada de uma cidade pacata para uma das cidades mais violentas do país, a sétima do país e a quinta do Nordeste", comenta.
De acordo com os órgãos da Segurança Pública, a maior parte dos crimes está ligada à disputa por tráfico de drogas na Região Metropolitana. Já famílias de vítimas da violência urbana atribuem a quantidade de crimes à falta de segurança. O magistrado atribui os altos índices a dois fatores. "Não há estudos a respeito, mas se atribuem esses casos a dois fatores. Primeiro, a disputa de território pelo tráfico. É preciso ter uma política de pacificação e desmontar essas estruturas que estão se incrustando em alguns bairros de São Luís. O outro fator é o alto consumo de drogas, principalmente o crack, que desencadeia uma série de crimes, inclusive de homicídios. Se não enfrentarmos isso, os índices serão cada vez maiores", diz.
Falta de provas
Questionado sobre a relação entre as estatísticas de homicídios e a demora no julgamento de processos no Judiciário, José dos Santos Costa afirmou que a sensação de impunidade é causada, em grande parte, pela falta de provas na fase de investigação dos crimes. "A impunidade criada pela demora no julgamento dos processos é uma das causas identificadas com o aumento da violência nos últimos anos. Nós temos duas situações. Uma, é a demora do processo. A outra é o inquérito, que não chega ao Judiciário por falta de elementos que desvendem a autoria, e pelo volume enorme, que a Polícia Civil não dá conta de estar investigando tudo. Além disso, os inquéritos não chegam ao Judiciário por falta de provas, que são fundamentais para poder dirimir quem seriam os autores do crime", afirma.
O juiz esclarece que o Judiciário tem feito um esforço, em âmbito nacional, para dar resposta à sociedade quanto ao cumprimento de prazos. "Dá para os prazos serem cumpridos e aqueles que estão presos não serem postos em liberdade por excesso de prazo", finaliza.

Maurício Araya/Imirante